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Viagens ao Fundo do Pote

março 5, 2010
“Viagens ao Fundo do Pote”, coluna mensal de Robério Vasconcelos trazendo toda primeira sexta-feira de cada mês fotos e fatos de uma Triunfo que já não existe mais.

Primeira turma do Ginásio Diocesano PIO XII
Por Robério Vasconcelos*

Os educandários triunfenses sempre foram destaques na região do Pajeú e até mesmo no nordeste, abrigando alunos nas escolas e internatos de Triunfo-PE. Entre estas instituições o Ginásio Diocesano PIO XII, atualmente a escola Monsenhor Luiz Sampaio, teve especial destaque.
O Pio XI, uma batalha vencida pelo Monsenhor Luiz Sampaio se reveste de uma importância especial porque trouxe um equilíbrio na questão da educação em Triunfo. Também o extraordinário Colégio Stella Maris, dirigido por freiras alemãs, proporcionava uma educação primorosa às jovens.
A primeira turma do Ginásio Diocesano PIO XII teve como diretor da instituição, na época, o zeloso Monsenhor Luiz Sampaio; e como professores abnegados o Dr. Geraldo Correia, Dr. Waldemir Lins, Dr. Laércio Pacheco, Dr. Roberto Correia de Araújo, Frei Agnelo, e o eclético médico, Dr. Artur Leal Diniz que criou, de imediato, um diferencial com as suas aulas de Matemática, desafiadoras pelo alto nível! Dr. Arthur Diniz ensinava, ainda, Ciências Físicas e Biológicas e na continuação do curso foi também professor de História, matérias nas quais demonstrou profundos conhecimentos.
Os saudosos Valdemar Ferraz e Antônio Granja tiveram relevante importância como Instrutores de Educação Física e disciplinadores, merecendo destaque a dedicação das secretarias Rafaelina Sampaio, D. Inácia e Joanice Cabral.
A turma começou com, aproximadamente, 90 alunos que iniciaram o Curso de Admissão ao Ginásio no antigo “salão paroquial”, ao lado da Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores. Com o “andar da carruagem”, muitos colegas desistiram e desembarcaram pelo caminho, pelas mais diversas razões: mudanças para outra cidade; dificuldades de acompanhar o curso por falta de uma base mínima e, até, por falecimento durante o curso. Apenas, cerca de 10 %, chegaram ao final da jornada concluindo o Curso Ginasial, na Primeira Turma do Ginásio Diocesano Pio XII. E esses afortunados, muito poucos mesmo encontram-se perenizados nesse registro fotográfico, feito pelo fotógrafo e aluno José Rodrigues Silva Junior, nosso inesquecível e querido “Zé Índio”, a pedido de Dr. Artur Leal Diniz. Assim, as imagens dos Concluintes da Primeira Turma de Formandos do Ginásio Diocesano Pio XII, em 1960, capturadas à época, encontram-se na foto abaixo:

Dr. Artur Leal Diniz em aula de ciências no Ginásio Diocesano PIO XII (arquivo pessoal)

Em pé, da esquerda para direita: Artur Viana Ribeiro, Yone Castilho Campos, José Gomes de Lima, Dr. Artur Leal Diniz (professor), José Martins de Souza, Carlos Pereira Lima, Aloísio Pereira (Aloísio Cacimba); sentados, da esquerda para a direita: Antônio Paulo Gusmão, Argemiro de Souza Guerra e José Rodrigues Silva Júnior. Este último é o autor da foto histórica que ora examinamos, feita com a câmara Rolleyflex, no modo automático…
Mas, nada é eterno e essa turma de entusiastas e guerreiros idealistas (lutando sem armas), atualmente está reduzida a três ex-alunos, remanescentes da gloriosa e querida primeira turma do Ginásio Diocesano Pio XII. Muitos faleceram, outros, talvez tenham paradeiro por nós desconhecido. Os remanescentes, confirmados, são Yone Castilho Campos (Coronel da Aeronáutica), José Gomes de Lima (Engenheiro), e José Rodrigues Silva Junior (Advogado).
Sobre Arthur Diniz destaque-se, por oportuno, o registro fotográfico da efetiva utilização de equipamentos conseguidos com sacrifício imenso para o laboratório do Ginásio. Na foto histórica aparecem os alunos utilizando os equipamentos em aula prática, aparecendo no quadro (verde) a fórmula do Ácido Sulfúrico reagindo com o Zinco, e o resultado dessa equação química.
Como a turma foi pioneira, teve a sorte de ter um corpo docente de alto nível, acima até mesmo das necessidades do momento. Monsenhor Sampaio, então, conseguiu formar uma equipe de professores de escola, apelando para o “espírito público” de Juízes, Promotores de Justiça, Tabeliães. Foram convocados, ainda, para o corpo docente religiosos do Convento São Boa Ventura; valores locais como o saudoso Maestro Luiz Firmino, além de ilustres professoras formadas pelo Colégio Stella Maris, um educandário de renome em todo o Estado de Pernambuco.
É de justiça destacar, entre todos, pelo empenho, o Dr. Artur Leal Diniz, que tudo fez para implementar a mais completa e perfeita formação educacional aos alunos que compunham esta turma; entre suas inúmeras iniciativas, manteve contato com o diretor do Ginásio, o Monsenhor Luiz Sampaio, tendo adquirido equipamentos sofisticados para o Curso de Ciências, sendo o conjunto composto por um disco de Newton, uma máquina pneumática, olhos e ouvido em gesso, uma máquina de geração de energia eletrostática, tubos de ensaio, pipetas, cuba, misturadores, balonetes, entre demais aparelhos e equipamentos que compunham a sala de ciências, que foi construída especialmente para essa finalidade, com bancadas apropriadas e uma mesa em cimento armado, para que os alunos pudessem desenvolver as suas experiências com comodidade e segurança.
Além desses equipamentos, a turma ainda conseguiu adquirir um esqueleto humano completo, preparado sob a orientação do “professor” Dr. Artur Leal Diniz, que ditou os cuidados especiais para que não faltasse um só osso, bem como as condições de higiene e conservação que deveriam ser aplicadas. Esse esqueleto foi colocado em latas de querosene vazias para cozinhar em água e cal durante horas, afim de que ficasse em perfeitas condições de higiene e manuseio dos alunos.
Este ano, a Caravana da Saudade, sob a coordenação de Elisabete Ferraz, se propõe a prestar uma homenagem, merecida por sinal, ao velho educandário e também aos seus ex-alunos ainda vivos, aos cinquenta anos de conclusão da primeira turma do Ginásio Diocesano Pio XII. Resta agradecer à feliz e honrosa iniciativa.
“Abrir escolas é fechar prisões!” – (Guerra Junqueira, poeta e escritor português que viveu no Séc.XIX).

*Robério Vasconcelos é triunfense e atualmente reside em Campina Grande/PB.
É pesquisador e grande entusiasta da cultura popular nordestina, além de ser Diretor do CLUBE DO REPENTE e co-editor do blog que leva o mesmo nome.
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