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ESTRÉIA NO BTB – “Viagens ao Fundo do Pote”

fevereiro 5, 2010
O “BOOM, TRIUNFO, BOOM!” está constantemente empenhado em trazer novidades para os nossos leitores, a fim de dinamizar e tornar cada vez mais agradável seu passeio por nossas páginas. Sendo assim apresentamos aos nossos queridos visitantes o nosso mais novo colaborador, Robério Vasconcelos, estreando hoje sua coluna mensal: “Viagens ao Fundo do Pote”, que trará toda primeira sexta-feira de cada mês fotos e fatos de uma Triunfo que já não existe mais.
A ideia desta viagem que começa agora nasceu na mesa quadrada, no Beto’s Bar, enquanto folheávamos álbuns de fotografias e líamos antigas edições dos Jornais “A VERDADE ESCRITA” e “A VOZ DO SERTÃO”, periódicos que eram publicados em nossa cidade, mas isso é assunto para outras matérias. Fiquemos então com a primeira viagem ao fundo do pote.
Aproveitem!

CIRCO UBERLÂNDIA
Por Robério Vasconcelos*

Circo Uberlândia às margens do açude, no centro de Triunfo/PE (arquivo pessoal)

De acordo com vários depoimentos e declarações feitas por antigos moradores de nossa cidade, no meio do ano de 1967 chegava a Triunfo – PE o circo Uberlândia, vindo da cidade de Afogados da Ingazeira.
O primeiro caminhão chegou por volta de 11:00hs de uma manhã de quarta-feira, trazendo as barracas, materiais de cozinha, camas, bancos, mesas, pertences pessoais e do circo, no final do dia chegava a segunda turma em um caminhão “FORD” um dos maiores da época.
As tendas foram armadas em frente a casa do comerciante e alfaiate José Veríssimo, ao lado do açude e da casa do motor “energia”. As refeições eram feitas nas próprias tendas usando água vinda da cacimba de Chico Leite e os banhos eram na bica de Manoel Borges.
No dia seguinte iniciaram o processo de montagem do circo, cerca de 10 homens do próprio circo trabalharam o dia todo para erguer a parte principal e os detalhes finais ficaram para a sexta-feira. Nesse mesmo dia por volta de 15:00hs saiu pelas ruas da cidade um palhaço perna de pau convidando os moradores para o espetáculo a noite, o palhaço era acompanhado de várias crianças, as quais tinha a entrada grátis pela participação com o palhaço.
Por volta das 19:00hs começam a chegar os espectadores para a estréia do circo, antes das 20:00hs o palhaço Xexeú deu ínicio ao espetáculo, acompanhado de seu auxiliar que fazia várias perguntas e brincadeiras com o público. Xexeú era a alegria do circo, todos riam com suas brincadeiras e apresentações. Em seguida ao palhaço vieram os malabaristas, os 3 irmãos Acadias, eles apresentavam um show com escadas, trapézio e malabarismo. Uma curiosidade nessa apresentação era que o irmão mais velho colocava uma escada de cerca de 6 metros nos ombros enquanto os dois outros subiam para realização de malabarismo.
Dando sequência ao espetáculo, vinham as apresentações de Terezinha Ramalho (voz e acordeom) e seu irmão Gilvan Ramalho (voz e violão), Terezinha cantava e tocava as músicas de Ângela Maria, Dalva de Oliveira e muitas outras cantoras da época. Gilvan seu irmão além de acompanhar Terezinha no Violão, também cantava músicas de Orlando Dias, Cauby Peixoto, Nelson Gonzalvez e outros. Era um show de cerca de 60 minutos que também tinha a participação da cantora Lourdinha que cantava músicas do estilo de Teixeirinha, sendo acompanhada pelos irmãos Ramalho.
Logo após a apresentação musical, o apresentador anunciava a segunda parte das atrações da noite, era o teatro, o qual cada ator era apresentado ao público por seus nomes e papeis. Participavam do teatro os músicos, os cantores, os irmãos do trapézio, o auxiliar do palhaço e o apresentador do circo. O teatro era dividido em quatro atos, após cada ato dava-se um intervalo para troca de cenário e de figurino, o palco ficava num canto do circo e tinha bonitos cenários.
Várias peças e dramas foram encenadas, algumas religiosas que contava com a presença das freiras do Stella Maris e as internas. Uma das peças mais assistidas era “Marcelinho pão e vinho” entre outras que eram do agrado das religiosas. Mas a presença das religiosas durou pouco, pois as peças estavam fugindo da censura a qual elas submetiam as internas. Outra peça que teve bastante destaque foi o “Ébrio”, com a participação marcante de Gilvan Ramalho na voz e no violão, que marcou a geração de quem assistiu.
Foram várias as apresentações do circo Uberlândia, sempre das terças aos domingos, sempre no mesmo horário, às 15:00hs para matinê e às 20:00hs para apresentação aos adultos.
Durante a permanência do circo, o Cine Teatro Guarany teve uma baixa nas suas bilheterias, pois os espectadores do circo vinham de todos os cantos, Serra Talhada, Santa Cruz da Baixa Verde, Jericó e sítios vizinhos, alem da população triunfense.
Entre os circos que passaram por Triunfo, o Uberlândia foi um dos que marcaram uma geração. Muitos outros também fizeram parte da história de nossa cidade, o que ficou instalado dentro do açude, no terreno da rodoviária (atual teleférico), no campo do cemitério, no alto da boa vista, os quais vamos postar em publicações futuras.

Participem do nosso quadro “Viagens ao fundo do pote” onde vocês poderão enviar fotos, jornais antigos, depoimentos, relatos e fazerem parte do nosso acervo.

*Robério Vasconcelos é triunfense e atualmente reside em Campina Grande/PB.
É pesquisador e grande entusiasta da cultura popular nordestina, além de ser Diretor do CLUBE DO REPENTE e co-editor do
blog que leva o mesmo nome.

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