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dezembro 30, 2009
Retrospectiva 2009 // Pernambuco musical carece de mais apoio
Escândalo dos cachês marcou o ano, Fundarpe assinalou mudança; em outra instância, o secretário de Cultura do Recife, Renato L realizou pouco

Por Michelle de Assumpção
michelleassumpcao.pe@dabr.com.br
A lista ao lado traz alguns CDs de artistas pernambucanos que foram lançados de modo comercial, no ano de 2009. Também existiram lançamentos não computados pelas lojas locais, claro (lembro agora de João do Morro e Louro Santos e Victor Santos), pois há a turma dos artistas que faturam muito mais vendendo nos shows – de mão em mão – do que os que deixam em lojas especializadas.
Os da lista dessa matéria foram fornecidos pela loja de música Passa Disco, hoje uma das únicas do Recife, e talvez de todo estado, que se interessa pelos lançamentos fonográficos locais independentes. Pode-se dizer até que um local de resistência, onde a classe musical se apoia para ter pelo menos uma boa vitrine para suas produções. Esse texto não é para fazer propaganda da loja de Fábio Cabral, ele próprio produtor do último CD da lista que divulgamos. Mas é, no mínimo, curioso uma cidade que tem a música como sua atividade artística mais produzida não ter meios de escoá-la devidamente.”Em ano de crise ter realizado a 4ª edição do Porto Musical, e com muito sucesso, mesmo fora de época, foi a grande conquista de 2009. “Melina Hickson, produtora e empresária de músicaA coletânea Pernambuco cantando para o mundo é uma mostra de que no estado ainda é preciso “unir para fortalecer”. É nessa hora que faz falta uma política cultural que faça deslanchar a produção da música local. Infelizmente, nem dentro do bem estruturado Pernambuco Nação Cultural (programa de política cultural do governo do estado\Fundarpe) muito menos no plano municipal da Cultura, vimos este ano o empenho ao fomento da nossa cena local. Os gargalos continuam os mesmos. Quem se salva são os que aliam excelência artística com competência empresarial e/ou comercial.
Os melhores exemplos desse caso são organizações como a Spok Frevo Orquestra e Orquestra Contemporânea de Olinda. Independência parece ser definitivamente a palavra chave para os que não querem se tornar reféns dos eventos oficiais do governo. Mesmo porque, esses ficaram manchados em 2009. A notícia mais importante (infelizmente negativa) do ano foi sem dúvida o escândalo dos cachês superfaturados (de contratações feitas pela Secretaria de Turismo). O ano vai terminar, o outro vai começar, e nada de esclarecimento à vista. Poucos foram os artistas que vieram a público se defender (Silvério e Spok foram alguns deles) e dizer que não ganharam o que foi revelado na prestação de contas da supracitada secretaria do governo. A velha história se repetiu (nesse caso, ainda com mais força, e medo). É que os músicos passam o ano reclamando dos órgãos do governo. A maior queixa é com relação aos atraso no pagamento dos cachês, após festas como carnaval e São João. A Fundarpe está na primeira posição da lista de reclamações que comumente chegam às redações dos jornais e circulam nos bastidores. O difícil é quebrar com a praxe dos artistas de ficarem calados. Têm medo que, reclamando publicamente, fiquem de fora da grade de programação da próxima festa, mesmo que recebam até seis meses após a sua realização. Mas a Fundarpe pelo menos assinalou uma mudança nessa relação com a classe artística: avisou que a partir de 2010 irá instituir editais ou pelo menos comissões que irão, aprovar, ou não, eventos que até então ela dava dinheiro sem que nem fossem avaliados como importantes ou não para a cena musical. No plano municipal, um tanto de frustração da classe. Mais uma vez, a história se repete: os artistas têm medo de falar, mas todos esperavam um pouco mais da gestão do secretário Renato L. Primeiro ano, a crise é a vilã: as torneiras se fecharam para a cultura. Mas existem ações que não têm a ver com dinheiro, pelo menos inicialmente. Por exemplo, cadê a regulamentação do Fundo Municipal de Cultura? Mais uma vez, o SIC está aberto, porém sem novidades, a não ser mudanças no formulário de inscrição. Os artistas terão que continuar batendo nas portas dos empresários, para conseguirem dinheirinho para suas produções. A principal herança do ex-secretário de Cultura Roberto Peixe, o Plano Municipal de Cultura, não foi a principal cartilha da gestão municipal de Cultura, pelo menos nesse primeiro ano. Sem contar que, mais um ano termina sem notícias da Rádio FreiCaneca. Sempre falta muito pouco para que a Frei Caneca saia do papel, mas é bom não esquecer, pois esse pouco pode permanecer por mais um ou mais anos.O fomento à produção da música local foi muito mais oferecido via realizações independentes ou coordenadas pelas instâncias federais. Esse ano, o Porto Musical voltou a acontecer. No final de 2009, a mais importante convenção do setor teve Recife como sede. A Feira Música Brasil, realizada pela Funarte em parceria com diversas associações de produtores independentes, colocou Recife no centro dos debates mais interessantes que cercaram a música do novo século. Também, via governo federal, os Pontos de Cultura fortaleceram suas ações. Em Pernambuco, a Zona da Mata foi o maior reflexo da política cultural do Minc, atualmente com sete Pontos de Cultura. O movimento, que está sendo chamado de Canavial, está mudando a qualidade e perspectiva de vida de jovens e velhos ligados às tradições do maracatu e outros folguedos da Mata.

Ctrl+C de Diário de Pernambuco

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