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20 ANOS SEM GONZAGÃO

agosto 6, 2009
DIÁRIO DE PERNAMBUCO ENTREVISTA O PRODUTOR CULTURAL ANSELMO ALVES, IDEALIZADOR DO MEMORIAL LUIZ GONZAGA
“O povo faz com que ele não morra”
O produtor cultural Anselmo Alves foi o mentor do Memorial Luiz Gonzaga, que hoje é dirigido pela pesquisadora Leda Dias, no Pátio de São Pedro, no centro do Recife. Ferrenho defensor da cultura pernambucana – que considera estar em extinção – sua bandeira é sobretudo pela permanência da escola musical inaugurada por Luiz Gonzaga e seus parceiros. Recentemente, ele conheceu, no município sertanejo de Salgueiro, um jovem de 22 anos que tocava com uma sanfona já sequelada. Anselmo, seguindo o exemplo do próprio mestre Gonzaga, deu ao rapaz um oito-baixos de sua coleção de instrumentos. “Não conhecia até então um só jovem que quisesse aprender o ofício”, conta.
DP – Você acha que as homenagens em torno dos vinte anos sem Gonzagão foram suficientes em Pernambuco?
AA- Eu acho que pela grandiosidade de Gonzaga para o Brasil, as comemorações foram poucas. As homenagens são necessárias para que a memória não se perca no tempo. Se São Paulo fez três dias de shows, a gente deveria ter feito sete. Mas Gonzaga sobrevive a tudo isso, o que precisamos é vê-lo com um olhar mais contemporâneo.
DP – Como seria esse olhar?
AA- Que as pessoas estudem mais Gonzaga, que os músicos e compositores façam releituras dessa obra, que estudem sanfona, que tenham cursos de zabumba, de canto. Existe o Memorial, mas quanto mais investirem, melhor. Aí Gonzaga vai sendo redescoberto sem o olhar caricato, sem o olhar da discriminação da elite cultural. Ela nunca compactuou com essa cultura. É tanto que nenhum dos grandes institutos de pesquisa e cultura de Pernambuco guardou a memória de Gonzaga. Quem guardou a memória foi o povo. Hoje o Memorial tem um arquivo maravilhoso graças a um vigilante, Mavio Holanda, que muitas vezes deixou de comprar comida para comprar discos de Luiz Gonzaga. O povo faz que ele não morra e seja cada dia mais cantado e interpretado.

DP – Qual seria o projeto mais importante no sentido de assegurar a permanência da cultura gonzagueana?

AA- De Gonzaga não vai sobrar gibão, nem sanfona. O que vai sobrar é a discografia. O Memorial preserva isso, mas a matriz, o começo de tudo, é a sanfona de oito baixos, que precisa de um curso permanente. Esse instrumento chegou há 200 anos da Europa e quando chegou no Nordeste brasileiro, mudou a afinação, que é única no mundo. Estamos perdendo uma matriz única no mundo. Não existe um só jovem brasileiro que eu conheça, que esteja fazendo curso de oito baixo. No interior de Pernambuco, os prefeitos precisam se interessar mais. Para mim, eles, a maioria, são os grandes vilões na destruição da cultura gonzagueana.

FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/08/06/viver15_1.asp
(Michelle de Assumpção)

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