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Patrimônio arquitetônico de Triunfo está ameaçado

julho 14, 2009
Por Denis Gomes
O conjunto arquitetônico Castelinho, situado à Praça Carolino Campos, centro de Triunfo está para ser demolido, deixando o vácuo, a lembrança nas fotografias e a memória que ajuda a reconstruir, ainda, um pedaço do período áureo da história de Triunfo.
A proposta do polêmico pátio de eventos de Triunfo é contraditória desde o princípio. Moradores das residências que também deverão ter o mesmo destino do Castelinho lutam desde sempre pela preservação do seu imóvel, que não tem indenização financeira que cubra os prejuízos históricos e sentimentais de quem viveu toda uma vida na localidade ou viu o suor dos seus pais levantarem paredes para abrigar a prole. A verdade é que é muito fácil tachar de casebre o patrimônio alheio, sem antes se colocar no lugar de quem humildemente lutou para adquirir um pequeno, porém essencial patrimônio. Ser avaliado pela opinião pública, sem dados técnicos ou pareceres legais chega a ser motivo de chacota e levanta suspeitas infundadas que levam a verdadeiras desconfianças que dão nos nervos de quem vive em um determinado lugar desde que nasceu. A questão é valorativa, é espiritual!
O fato vai mais além quando observamos a amplitude da exposição a que nosso lago João Barbosa Sitônio fica, caso este projeto seja ali concluído. Deveríamos lutar para afastar os eventos do lago e não convergirmos para ele. Ou você nunca parou para observar a quantidade de lixo que é depositada naquele cartão postal quando acontece cada evento, sem falar no óleo que escorre das barracas e nas confusões que, vez por outra, levam um agredido para dentro do lago.
Desde que o projeto foi elaborado, ainda na gestão anterior, fui contra a localização do pátio por várias razões, quais sejam: proximidade exagerada ao lago, o que contribui para sua poluição; desrespeito ao espírito do povo com a demolição desnecessária de residências, seguida pelo êxodo de famílias ali fixadas há décadas; violação do plano diretor, uma vez que com a demolição do Conjunto Arquitetônico Castelinho abrem-se precedentes para demolir quaisquer estruturas físicas do nosso município desregradamente, por motivos aleatórios e sem compromisso (O exemplo tem que começar pela própria administração.); eliminação de mais uma via, complicando o que já é caótico, ou seja, o trânsito de Triunfo (Abrir artérias é arrumar mais problema; se for pra abrir que abra, mas sem consonância com este projeto.); existência de uma outra localidade central na cidade, apropriada em todos os sentidos e aspectos para a construção de um grande centro de lazer: Sítio do Convento São Boaventura.
Sempre insisti na proposta daquele local. A Avenida Frei Fernando é grande tanto em comprimento quanto em largura, o que facilitaria o estacionamento de veículos; a propriedade dá e sobra para um grande centro de lazer, ao contrário do que está sendo proposto: pequeno, apertado num momento de grande concentração massiva; a localização é central e seria mais uma opção a ser desfrutada, desafogando o cais do Lago João Barbosa; ajudaria o combate à poluição do lago, já que deslocaria os eventos para outro local, além de retirá-los de uma área residencial.
Infelizmente, teimam, desde o princípio, alegando que nenhuma cidade tem um pátio de evento à beira de um lago. Não que estivéssemos correndo do lago, todavia é melhor tê-lo preservado todos os dias, sendo mais um elemento a somar-se ao conjunto de uma grande proposta que como o próprio nome (evento) já revela é eventual. Deixemos o lago para os pedalinhos e para competições esportivas.
A população tem que abrir os olhos, tem que se manifestar, não pode seguir ao pé da letra o nosso hino nacional (Deitado eternamente em berço esplendido…). Já basta o presente de grego que os moradores da José Veríssimo receberam (Ficou bonito, mas complicou a vida deles e a nossa enquanto condutores.), a fossa séptica (era pra ser) construída numa baixa, as margens de um riacho que leva as águas do açude de Dona Sara e do lago João Barbosa até o Poço Dantas, digo Barragem do Dantas (Outra tragédia: detonaram a pedra que ficava dentro do poço e fizeram dali uma barragem, cheia de lama, sem beleza alguma e muita poluição.) e de lá até os poços e cachoeiras do Grito, uma das nossas mais preciosas reservas ecológicas, hoje, porém, contaminado. “Como é que se constrói uma fossa numa baixa? Será que não existe chuva neste lugar? Resultado: chuva demais, infiltração de dejetos no solo e transbordos de excrementos fecais correnteza abaixo. Santa sapiência!” Agora é a vez do Conjunto Arquitetônico Castelinho.
Quem mora em Triunfo ou vem até aqui pode identificar a nítida intenção de colocar por terra um belo trabalho de décadas (quase secular), retrato de arte triunfense, que está sendo banalizado. Ali não deveria funcionar banheiro público (em outra época chegou a funcionar dentro, até mesmo, do Cine Theatro Guarany – nosso cartão-postal maior), também não deveria funcionar oficina ou borracharia como já foi ou escritório. Cobram tanto um balcão de informações turísticas na cidade. Por que não ali? Espaço, charme e localização privilegiada tem. Que tal uma(s) lojinha(s) de artesanato (presentes na planta do pátio, inclusive)? Gente boa produzindo artes dos caretas tem aos montes; falta catalogação, reconhecimento, estrutura e apoio moral, sobretudo. O fato é que bater de testa com o 1º escalão de uma administração é muito complicado. Claro! Paga-se para defender as suas idéias. Tentei fazer isto quando fui gestor, mas os recursos foram escassos, ínfimos; a gente se sente fraco até, mas se a população se unir será a força não de um, mas de uma coletividade.
Observaram como desde o início do texto tenho-me referido ao prédio? Conjunto Arquitetônico Castelinho. É ele que querem demolir, preservando apenas a torre, como se fosse somente ela o prédio. Colocar abaixo o restante do imóvel é o mesmo que arrancar dentes da boca de uma pessoa e deixá-la com a arcada dentária imperfeita. Por isto, o coitadinho está tão mal tratado: sujo, com lodo pelas paredes, pintura mal acabada, cheirando mal, preto com a sua beleza ofuscada. Já pensou se ele fosse restaurado e servisse aos propósitos acima descritos, aparecesse durante as festas de Triunfo, caso o pátio fosse construído em outro local?
Não devemos aceitar a demolição do Conjunto Arquitetônico Castelinho, nem no todo, nem em parte. É um pedaço da vida do município, da sua história que irrecuperavelmente cairia por terra. A proposta do pátio naquele local deve ser revista. Colocar um palco a frente da Primeira Igreja Batista de Triunfo é também uma violação do exercício da fé e da prática religiosa alheia. Como pregar e ouvir a palavra de Deus, como orar em conjunto ou cantar sendo interrompido por instrumentos durante passagens de som que acontecem costumeiramente em todos os grandes eventos vespertinamente e segue até por volta das 22 horas quando as festividades são iniciadas, de fato? É preciso pensar no coletivo e não no bem-estar de uns em detrimento de outros. O contrário é injustiça social.
Estarei enviando esta correspondência para Luciana Azevedo – presidenta da FUNDARPE – bem como para Luciana Santos, arquiteta da FUNDARPE, que ajudou em todo o trabalho de reconstrução do telhado da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, bem como provocando todos os blogs e demais veículos possíveis de comunicação para que outras pessoas (cidadão triunfenses, inclusive, independentes) também se sintam motivadas a agir de igual maneira, a fim de bradarmos, ao invés de sermos omissos ou silenciosamente contrariados.
É preciso termos consciência dos nossos deveres e deles fazermos nossos muros de pedras (como os do Castelinho), mas, ora, não tendo consciência dos nossos deveres, nossas muralhas de pedra ruirão!

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