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U.T.E. – TENTATIVA FRUSTRADA

junho 16, 2009
Por Denis Gomes

Depois de muito tempo afastado das postagens, devido aos afazeres laborais e acadêmicos, venho, mais uma vez, valer-me deste democrático espaço para expor alguns pontos de vista a cerca de algumas questões da nossa querida cidade e região.
“Quando escrevo para o Boom parece até que os meus dias ficam um pouco menos fastidiosos.” Vem a razão, depois, justificar o que escrevo e a satisfação quando sei que não penso de determinada forma sozinho. Acredito que esta também seja a sensação de todo blogueiro, inclusive do que é responsável por este. Mas, é preciso coragem!
Pois bem, vamos ao que me fez escrever.
No início deste semestre, resolvi contactar algumas pessoas com o intuito de erguermos a bandeira para a reestruturação da U.T.E. – União Triunfense dos Estudantes. Sabia eu que não seria uma tarefa fácil, afinal a associação estudantil tem débitos de muitos anos (provavelmente de 2001 ou 2002 para cá), sua diretoria legal está dissolvida, constando ainda na receita federal e no cartório a que fora eleita em 1998 e, o pior de tudo, há a necessidade de uma retomada de crédito perante a sociedade, até mesmo por uma questão histórica.
Houve uma adesão à intenção, a princípio pequena, mas houve. Confirmamos, neste rápido instante, o que a história nos mostrava desde o suntuoso projeto de Cadoca: o Circuito do Frio, que reuniu cinco cidades pernambucanas de clima frio, nesta época do ano, e que já possuíam tradição festiva. Foi uma sacada genial para uma roteirização turística, mas uma praga cultural. O Circuito do Frio ergueu-se como um grande “Leviatã” e engoliu toda a poesia e tradição de anos praticadas nestas cidades (Garanhuns, Triunfo, Gravatá, Pesqueira, Taquaritinga). Deva-se a isto o fato de o projeto der sido extinto, mas ter deixado sua marca tão categoricamente esmagadora; ou seus amigos de outras cidades nunca lhe questionaram: “qual será a data do Circuito do Frio?” (Sim, porque até o calendário de cada festa teve que ser adaptado ao monstro Leviatã.”), “já tem a programação do Circuito do Frio?”; ou você nunca viu uma comunidade no Orkut chamada Circuito do Frio em Triunfo? Some-se a isto a acomodação dos reais promotores do evento, ou seja, dos estudantes que de produtores passaram a ser meramente turistas ou brincantes. Em suma, perdemos a essência do evento e distorcemo-nos sem perceber e um circuito anual encarregou-se de eliminar, quase que por completa, a real proposta de uma história cinqüentenária”.
E se, por acaso, o governo do Estado decidir não mais fazer a festa, quem assumirá os seus ônus? Quem irá tomar a frente e gerenciará todo o processo? Hoje, com a proporção turística que Triunfo tem tomado, a clientela (não é só o público festeiro) é muito mais exigente e será que o empresariado local e a prefeitura municipal estão preparados para suportar mais esta? E os reais promotores do evento, ou seja, os estudantes onde foram parar em toda esta história? Lembremo-nos que em 2007, quando do primeiro ano da gestão do atual governador, só tivemos a festa graças à intervenção súbita e as pressões por parte da prefeitura local junto ao Estado e a ajuda do SESC.
Eu quero chamar a atenção, mais uma vez, para um ponto crucial de todo este arrazoado: a reestruturação da U.T.E. Infelizmente, uma minoria de estudantes universitários da nossa cidade, “formadores de opinião, produtores de ciência” sensibilizou-se com a nobre causa, deixando a cargo de uma maioria de secundaristas (não que estes sejam menos importantes) os rumos decisórios da história. As desculpas viraram clichês: “é o meu curso, é o meu estágio, é o meu trabalho, eu não tenho tempo…” Passamos a nos reunir semanalmente nas instalações da Escola Nova Geração Triunfense, fizemos alguns levantamentos de débitos da associação e traçamos algumas metas a serem perseguidas. Foi eleita uma diretoria interina, já que pelo estatuto existe todo um trâmite a ser seguido até a oficialização da estrutura jurídica da União Triunfense dos Estudantes e resolvemos tornar público, com num grande grito, que estudantes de Triunfo estavam empenhados na luta pela ascensão da nossa tão importante U.T.E., agora, infelizmente, mais mítica e famigerada do que real.
Dentro do nosso cronograma de atividades para este ano estavam: apoio às comemorações dos 70 anos da histórica Stella Maris, Momento da Consciência Negra 2009, apoio à Caravana da Saudade, Festival de Teatro, participação nas discussões e elaborações dos eventos Festa dos Estudantes e Natal Triunpho, além de um Cuca Legal (Passa ou Repassa) envolvendo duas escolas da rede pública da nossa cidade.
A idéia do Cuca Legal era pra já, pra fazer zoada, pra provocar estardalhaço, mostrar que a U.T.E. está aí com um firme propósito a ser trabalhado, além de angariar recursos para começarmos a pagar as dívidas da associação estudantil. A princípio as duas equipes sugeridas no projeto foram Escolas Monsenhor Luiz Sampaio e Alfredo de Carvalho, por serem as duas escolas públicas que contam com ensino médio e possuem a maior rede discente do nosso município. Fomos bem recebidos pelas diretoras de ambas escolas, mas apesar da boa recepção a distorção da nossa proposta pela direção e professores (não sei se todos) da escola Alfredo de Carvalho, ao atribuírem uma conotação política a nossa real intenção contribuiu de forma gritante para a frustração dos nossos trabalhos. Mostrou, também, total desconhecimento das clausulas que regem o estatuto da U.T.E., algo que deveria ser apresentado aos alunos e trabalhado no coletivo escolar, a fim de minimizar as arestas entre o que se pensa e o que é ou deve ser de verdade e responsabilizar-se solidariamente pela história do nosso município enquanto educadores e educandos e não atribuir culpabilidade a terceiros por lapsos de memória, desonestidade, ingratidão ou má fé.

É mister saber:

Art. 3º, inciso I – É fim da U.T.E. incentivar o espírito de responsabilidade, a moralização dos costumes, o respeito mútuo e a conduta irrepreensível diante de suas obrigações, quer com a própria classe estudantil, quer com a sociedade em geral;
Art. 26, inciso I – Compete a U.T.E. trabalhar pelo congraçamento efetivo dos estudantes triunfenses, promovendo atividades sociais e recreativas;
Art. 27, inciso II – organizar concursos culturais entre a classe estudantil e a população em geral;
ART. 1º, PARÁGRAFO ÚNICO – É DEFESO A U.T.E. PARTICIPAR DE QUAISQUER ATIVIDADES QUE IMPLIQUEM TOMADA DE POSIÇÃO POLÍTICO-PARTIDÁRIA OU RELIGIOSA.

Portanto, foi de uma extrema infelicidade a conotação espirituosamente atribuída ao que precisa de ajuda para se reerguer, num momento em que a nossa sociedade está carente, já que passamos por profundas mudanças sociais e necessitamos de inculcar nos espíritos pueris e joviais da nossa gente mais idéias: modernas, dinâmicas, construtivistas e não anacrônicas, pessoais e conservadoras. “O palanque já caiu por terra faz tempo!” Não vamos, então, discriminar quem estende a mão para ajudar, sabe como fazer e pode contribuir para modificar. É preciso reconhecer outros méritos, outros valores, outros pontos de partida que não seja o viés político, afinal esta não é a nossa intenção, não foi, nem sobretudo é a minha particular, enquanto cidadão triunfense independente, apesar dos muitos amigos que fiz no meio político e fora dele. Devemos usar a régua dos lesbos para medir com justiça aquilo que queremos dizer e não provocar injustiças e causar desagrados.
A U.T.E. deve ser respeitada pelo menos pela sua contribuição já dada a história da nossa cidade; ela está nos pilares da Festa dos Estudantes e representa muito bem os anseios e aspirações de nossa juventude a seu tempo. Não ceifemos isto! Vamos contribuir.
Deixo para o meu amigo André Vasconcelos, um dos donos do maior acervo histórico cultural de Triunfo com fontes verídicas e não românticas, a tarefa de posteriormente postar aqui o histórico da U.T.E. e da tradicional Festa dos Estudantes. Aproveito para parabenizar a Escola Alfredo de Carvalho pela passagem dos seus 80 anos construindo um legado que tem transcendido gerações, sem ofuscar o saudosismo dos 70 anos da bela história do Stella Maris e torcendo para que possamos estreitar bons laços em nome do bom senso e do construtivismo sócio-educativo-cultural.

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