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Polêmicas do Pajeú

maio 17, 2009
O Sertão do Pajeú têm suas polêmicas. Onde nasce o rio Pajeú: Itapetim ou Brejinho? Apesar do IBGE considerar Brejinho, os filhos de Itapetim argumentam que o rio nasce nesta cidade. Qual a capital da Rapadura: Triunfo ou Santa Cruz da Baixa Verde? Cada qual tem sua defesa. Pois bem, outra polêmica antiga e famosa atiçada recentemente nas páginas do Diário de Pernambuco, foi um artigo do engenheiro Saulo Passos a respeito da seguinte dúvida: qual a capital da poesia: Itapetim ou São José do Egito? Particularmente, acredito que o Pajeú deve se unir, procurando aquilo que nos agrega. Somos todos irmãos sertanejos da mesma região. Itapetim ou São José do Egito são dois celeiros de poetas, assim como outras cidades do nosso Pajeú. Vamos ao artigo.

QUAL A CAPITAL DA POESIA: ITAPETIM OU SÃO JOSÉ DO EGITO
Saulo Passos // Engenheiro
saulopassos@uol.com.br
Esta indagação, provocada pelo Prof. Jorge Cândido da Unicap, é fruto de sua dúvida sobre a terra natal dos poetas Rogaciano Leite, os irmãos Batista (Louro, Otacílio e Dimas) e Job Patriota – para ficar somente nesses, que figuram no nosso Livro: Itapetim, Ventre Imortal da Poesia – parceria do Dr. Marcos Nunes -, como filhos legítimos de Itapetim e que agora setores da mídia, incentivados por pessoas sem compromisso com a verdade, divulga, sem fonte de pesquisa, esses poetas, como filhos de São José do Egito. Ninguém tem dúvida de que eles nasceram dentro dos limites de Itapetim, onde também nasceram centenas, como comprova o livro acima referido com dois centos deles. O esbulho cultural em pauta, que não se firma no lugar do natalício, mas num critério injusto e contraditório, tem como objetivo elevar São José do Egito à condição de capital da poesia, uma vez que seus mais famosos poetas – infelizmente, não excedem a meia dúzia -, embora sejam de boa qualidade, são conhecidos apenas na região. Os de Itapetim, com a viola debaixo do braço, viraram celebridades nacionais ou, a exemplo de Rogaciano Leite, extrapolaram fronteiras. Por isso, nada mais fácil do que arrancar dos seios da mãe de tantos poetas, uns três ou quatro filhos famosos, que ela, talvez, disso, nem se desse conta. Assim nasceu a ideia “fantástica” e o seguinte “critério”: os nascidos em Itapetim, quando distrito de São José do Egito, neste caso, a este pertenciam. Só numa mente atrasada é que se pode conceber tamanho disparate. E, como a ganância é cega, o “critério” genérico terminou por expulsar de casa sua principal figura. O poeta Antonio Marinho, cuja estátua se encontra no centro daquela cidade, como seu poeta maior, em face da “norma”, não é filho de São José do Egito, pois quando ali nasceu em 1887, esta era distrito de Ingazeira. Imagine-se, por outra, este “critério” aplicado à história do Brasil. Nossos árcades: Claudio Manoel da Costa, Tomás Antonio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e até o Aleijadinho seriam portugueses, uma vez que eles nasceram na época do Brasil-Colônia de Portugal; José Bonifácio e o Mártir da Independência, Tiradentes, da mesma forma seriam cidadãos portugueses; e, o presidente Lula, seria filho de Garanhuns e não de Caetés como é. O vate Manoel Filó, que, erroneamente, figura como de lá, através do mote: São José do Egito ganhou fama/Com os filhos do chão de Itapetim, já advertira do prejuízo que esta insolência tem causado àquela comunidade por causa dessa implicância sem cabimento, ofensiva e sem nenhuma sustentação plausível. Da mesma forma, o grande cordelista Chico Pedrosa em reprimenda a essa ideia absurda, em tom jocoso, certa vez em Brasília, comparou São José do Egito com Mossoró. “Mossoró – disse ele – não tem um torrão de sal que salgue uma piaba, pois todo o sal vem de Macau e Areia Branca, e desse jeitinho são os poetas de São José do Egito…”. Essa referência, aliás, é unânime nos poetas, que gostam de ver conservado seu amor pelo torrão natal. Vê-se, por fim, que essa conduta se constitui numa falta de respeito àqueles que lutaram pela emancipação e vibraram em sua festa. Por isso, no desejo de reparar o erro histórico – principalmente da mídia -, em reverência à verdade dos fatos e, em especial, à memória de minha avó Elvira, que não tolerava atribuir-se que seu irmão, Rogaciano Leite, pudesse ser de São José do Egito, concluo: Itapetim jamais quis ser capital ou berço de coisa alguma, que o seja São José do Egito, mas que construa seu telhado utilizando-se de suas próprias telhas.
FONTE: Diário de Pernambuco
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/04/13/opiniao.asp

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