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Mestre da sanfona, no Pajeú, faz 100 anos

maio 14, 2009

Isaías Pacote mostra a importância de preservar o instrumento participando de festival
Sebastião Araújo
Especial para o Diario

Não há como circular pelo Sertão pernambucano sem escutar um som bem típico: o da sanfona. Nos arrasta-pés nos sítios, na zona rural, no meio das feiras livres e nas festinhas de fim de semana, o toque do instrumento celebrizado por Luiz Gonzaga é um dos mais escutados. Ao mesmo tempo em que anima os eventos sociais, a sanfona serve como meio de trabalho para vários sertanejos. Foi com ela que Isaías Amaral de Souza, o Isaías Pacote, sustentou mulher e quatro filhos. Prestes a completar cem anos em dezembro deste ano, ele ainda faz da sanfona a razão de viver. “É minha grande companheira”, enfatiza Isaías Pacote.O sanfoneiro, que é um dos grandes expoentes da cultura popular da Região do Alto Pajeú, leva uma vida simples, longe dos holofotes, no município de Afogados da Ingazeira, a 380 quilômetros do Recife. Isaías Pacote é reverenciado apenas por colegas de ofício que invadem a casa onde ele mora para vê-lo tocar uma sanfona de oito baixos. Apesar da pouca audição e da saúde fragilizada, o sanfoneiro tem orgulho em falar sobre os anos dedicados a tocar o instrumento. Uma das lembranças que o deixa mais feliz está relacionada ao Rei do Baião, com quem teve a chance de se apresentar e de quem diz ter recebido uma minúscula sanfona banhada a ouro. “Já toquei bem. Hoje, faço apenas um barulho que não tem futuro”, comenta Isaías Pacote, em tom de brincadeira. Sentado na cama, onde passa a maior parte do tempo, ele faz questão de puxar a célebre composição de Zé do Norte, Mulher Rendeira, numa sanfoninha que tem mais de 60 anos. No quarto também estão sete outras sanfonas, colecionadas ao longo da carreira.”Aproveitei bem minhaprofissão”, resume, sem parar de tocar velhos sucessos do ídolo Luiz Gonzaga.Homenagem – Os cem anos do sanfoneiro serão reverenciados durante a vigésima edição do Festival Regional da Sanfona (Fersan), que acontece entre os próximos dias 29 e 31 deste mês em Afogados da Ingazeira. O sanfoneiro quase centenário fará uma apresentação especialpara mostrar a importância de se preservar o instrumento. “O que seria da música se não houvesse a sanfona?”, questiona Isaías Pacote. Afogados da Ingazeira é conhecida como Capital da Sanfona por revelar e abrigar um número expressivo daqueles que fazem do dedilhar da sanfona uma arte. Aos sábados pela manhã, dezenas deles costumam reunir-se diante da Rádio Pajeú AM, onde produzem um programa musical. A emissora, por sinal, completa 50 anos de fundação.

Fonte: Diário de Pernambuco

http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/05/14/interior1_0.asp
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