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LÁGRIMAS DE ARGAMASSA

maio 1, 2009
De Lucivaldo Ferreira
Cedo acorda o homem de concreto
E eu sei que ele quem acorda o dia
Em segredo despede da “famía”,
Chora baixo, seu sofrer é secreto.
Sai correndo pra cumprir o decreto
Que o patrão fez pra o seu sofrer diário:
NÃO COMER, NÃO BEBER E NÃO SALÁRIO,
NÃO AO SOL, NÃO AO CÉU E NÃO A PRAÇA.
Vê? As lágrimas são de argamassa,
As que brotam dos olhos do operário.

Gigante pela própria natureza,
O operário, maior que esta nação,
Planta milho, arroz, planta feijão,
Mas no prato só colhe incerteza.
Conhecido na sua redondeza,
Responsável que respeita o horário
É carta importante no baralho
Que esta nação descarta e amassa.
Vê? As lágrimas são de argamassa,
As que brotam dos olhos do operário.

Mas se um dia acorda sem serviço
E vê sua vida sair dos trilhos
Sem casa, sem escola pra seus filhos
Fica doido e pensa em sumiço.
Logo ele, que nunca pensou nisso,
Reza pra Deus, se apega ao rosário
E com tanto sonho fora do páreo
Ele chora e a mulher ele abraça.
Vê? As lágrimas são de argamassa,
As que brotam dos olhos do operário.

Mas Deus é pai e os seus filhos vê
E nos livra de toda tentação
Nem que seja um tantinho de feijão
Ele bota na cuia pra comer.
Nos devolve a vontade de viver,
Transformar o país do imaginário
Num país de justiça e trabalho
(Liberdade seria nossa taça),
Lenço para as lágrimas de argamassa
Que já cobrem o corpo do operário.

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