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MANUEL BANDEIRA

abril 19, 2009

Se estivesse vivo, o poeta Pernambucano estaria completando hoje 123 anos.

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife (PE) no dia 19 de Abril de 1886. Depois de morar no Rio, em Santos e em São Paulo, a família regressou ao Recife, onde permaneceu por mais algum tempo. A nova mudança para o Rio levou o menino a ser matriculado no colégio Pedro II. Com 17 anos, Manuel Bandeira foi para São Paulo, a fim de ingressar na Escola Politécnica, mas já no ano seguinte (1904) ficou tuberculoso. Abandonou os estudos, passando temporadas em várias outras cidades, de clima mais propício ao seu estado de saúde. Em 1913 partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano seguinte, pois estava começando a Primeira Guerra Mundial. Em 1917 publicou seu primeiro livro: A Cinza das Horas.
Conforme esclarece o melhor crítico da obra de Bandeira, Davi Arrigucci Jr.: “A poesia de Bandeira (..) tem início no momento em que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela manifestação da tuberculose, doença então fatal. O rapaz que só fazia versos por divertimento ou brincadeira, de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento de vazio e tédio, começa a fazê-los por necessidade, por fatalidade, em resposta à circunstância terrível e inevitável”.
Não participou diretamente da Semana de 22, mas seu poema “Os Sapos”, lido por Ronald de Carvalho, provocou reações radicais na segunda noite do acontecimento. Mário de Andrade chamava-o de “O São João Batista do Modernismo”. Bandeira exerceu diversas atividades profissionais relacionadas ao ensino. Dois anos antes de morrer, em entrevista concedida a um jornal, afirmou:
“Tive de parar os estudos por causa da doença. Não estudei cálculo infinitesimal ou integral e isso me impediu de ler muitas coisas, inclusive a teoria de Einstein. Nas horas de ócio da doença, não me apliquei ao estudo de grego e latim, iniciados no Colégio Pedro II. Isso é quase tudo o que não fiz. E, naturalmente, sinto pelos amores frustrados por causa da doença”.
O poeta morreu com mais de 80 anos, em 13 de outubro de 1968. A perspectiva da morte foi uma constante em sua poesia e motivou um de seus conhecidos poemas:
Apesar de simpatizar com o concretismo, Bandeira advertiu: “Vamos devagar. Não aderi à poesia concreta”. Sua produção, nesse sentido, resume-se a oito poemas.
São características da obra de Bandeira: emprego do verso livre, mas não com exclusividade. Mesmo em suas últimas obras Bandeira recorre a formas fixas, entre elas o soneto; até escreveu uma cantiga medieval: uma demonstração a mais de sua liberdade de expressão… É bom lembrar ainda que verso livre não é sinônimo de ausência de ritmo; aproveitamento da fala coloquial; poesia simples, direta; aproveitamento de fatos do cotidiano; sentimento de humildade diante dos fatos; humor; e visão de amor quase sempre tangenciando o erotismo, o amor físico.
Ele próprio afirmou: “… a poesia está em tudo – tanto nos amores quanto nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas”. Bandeira não se ocupou de temas de natureza social ou de reflexão filosófica. Sua visão de mundo decorria da descoberta da poesia nos fatos corriqueiros, do dia-a-dia, ou nas experiências de vida do poeta.
Quando se relacionam os poemas de Bandeira à sua biografia, é necessário fugir do simplismo de achar que cada poema surgiu de um dado biográfico. Primeiro, porque essa relação só pode ser feita se ancorada em informações fornecidas pelo poeta – como é o caso de “Pneumotórax” ou mesmo de “Vou-me embora pra Pasárgada”. Segundo, porque a partir do cotidiano o poeta recria poeticamente o mundo, dando à sua obra dimensão universal, ou seja, o cotidiano adquire significação simbólica e passa a ser aplicável a qualquer homem.

Fonte: http://www.culturabrasil.pro.br

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