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TOQUES DO MAESTRO

abril 6, 2009
Comecei a estudar música quando eu fazia 5ª série na Escola Alfredo de Carvalho. Meu professor foi Edmilson, um músico da Banda Isaias Lima.
O meu primeiro instrumento foi a flauta doce, instrumento pelo qual sou apaixonado desde então. Tanto que coleciono flautas de vários tipos.
Em 1999 comprei um pífano para tocar no então Grupo de Danças Ambrozino Martins. Na verdade pedi que o amigo Cristiano Montalvão, o Dj Nanotec, comprasse um para mim em Recife.
Comprar o pífano foi o mais fácil nesta história. O problema foi aprender a escala, mas enfim consegui.
Infelizmente não se encontra métodos de pífano nas bancas de revista, então vasculhando a internet encontrei o mapa da digitação do pífano e resolvi compartilhá-la com aqueles que gostam do instrumento e têm dúvidas quanto a sua escala.
É uma ação pequena da minha parte, mas creio que pode contribuir com a democratização das nossas tradições.
A imagem foi encontrada no site: Overmundo (
http://www.overmundo.com.br) e foi postada pelo luthier e instrumentista Jaime Ollivet Sunnah, de Florianópolis (SC).

O Pífano

Pífano, pife, pífaro… Saiba um pouco mais sobre esse tradicional instrumento do Nordeste brasileiro

* por Zé da Flauta

Pífano, pífaro e pife são a mesma coisa. Um instrumento de influência indígena feito de taboca, uma espécie de bambu, com sete orifícios, um para soprar e seis para dedilhar. Às vezes também são feitos de canos de PVC ou de canos de metal, mas não têm a mesma sonoridade nem a mesma beleza.
Existem duas maneiras tradicionais de tocar esse instrumento: em dueto (dois pífanos), acompanhado do ritmo da zabumba, pratos, caixa e contra-surdo, que são as famosas “Bandas de Pífanos”; e com o pífano solo acompanhado de sanfona, cavaquinho, violão de sete cordas, pandeiro e ganzá. No caso das bandinhas, os dois pífanos tocam em intervalos de terças, às vezes de quartas e em algumas passagens provocam dissonâncias incríveis.
Às vezes é difícil acreditar como um instrumento tão simples é capaz de produzir uma música tão rica e bela, animar festas, procissões e ainda ser o sustento de muitos músicos no nordeste. Geralmente, os tocadores fazem seus próprios instrumentos, e uma quantidade maior para vender em feiras e apresentações.
Gilberto Gil é um fã das bandas de pífanos e uma vez li entrevista sua dizendo que a Tropicália nasceu depois que ele viu a Banda de Pífanos de Caruaru ( a dos irmãos Biano) tocando. Caetano Veloso colocou uma letra em “Pipoca Moderna”, de Sebastião Biano. Eu gravei um frevo de rua chamado “Bianos no Frevo” no LP Asas da América vol.3 que termina com “A Briga do Cachorro com a Onça”, música tradicional das bandas – que é executada por quase todas elas. Nelson Ferreira, um dos grandes compositores de frevo, tem o seu famoso “Esquenta Muié”, um explosivo frevo de rua que começa com uma alusão aos pífanos. Eu fiz muitos duetos de flauta e guitarras com o guitarrista Paulo Rafael imitando os pífanos quando acompanhávamos cantores em shows e gravações.
O som desses instrumentos influenciou muitos compositores e arranjadores brasileiros. Está marcados na música de Lenine, Quinteto Violado, Hermeto Pascoal, Xangai, Egberto Gismonte, Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos, Cascabulho, Orquestra Armorial, Antúlio Madureira, Carlos Malta (que não é nordestino mas tem um disco belíssimo chamado “Pife Moderno”, que é simplesmente demais!) e outros tantos que não me lembro agora.
As bandas também são conhecidas como “Esquenta Muié”, “Terno de Pífanos” e “Zabumba”, dependendo da região.
As maiores características do tocador de pife é ser humilde e não entender nada de música. Faz por pura intuição e inspiração. Edmílson do Pífano, um dos maiores tocadores que eu conheço, me disse que fazia música no ônibus, quando viajava e via as músicas passando pela janela. Sebastião Biano me disse que sustenido era “meio dedo no buraco”. Depois de “são as teclas pretas do piano”, definição dada por um antigo professor de música, essa foi a melhor explicação que ouvi sobre sustenido. Agora, diga que não é !
Em julho de 1997, tive o prazer de dar uma canja com a Banda de Pífanos Dois Irmãos de Caruaru, no Central Park, em Nova York. Foi um momento inesquecível, os americanos não deixavam a gente sair do palco. No fim da apresentação, descemos e fomos pra cima do público, que caiu no forró fazendo a poeira subir. Pra encerrar, vai uma frase de João do Pife, de Caruaru: “Eu faço pife, toco pife, vendo pife, por isso estou assim pifado!”

· Zé da Flauta é músico, produtor e coordenador musical da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Fonte: http://raizesdatradicao.uol.com.br/
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  1. agosto 12, 2009 3:29 pm

    gostei mto do post. sou um grande fã desse instrumento

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