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NAÇÃO CULTURAL REFORÇA AÇÃO NO INTERIOR

abril 6, 2009
Festival que vai circular por dez regiões do estado levou a Goiana discussões sobre o fazer cultural e oficinas de bonecos, adereços e cinema de animação

Paulo Rebêlo // Enviado Especial
paulo.rebelo@diariodepernambuco.com.br

Via de regra, shows em praça pública costumam ser o ponto alto das iniciativas de governos no interior do estado, quando não são, de fato, a única atração.
Orientador e cineasta Lula Gonzaga quer ir além do que propôs na oficina de cinema em Goiana; planeja coletar material para montar longa colaborativo. Em Goiana, a 63 km do Recife, a festa também se destacou no encerramento do Festival Pernambuco Nação Cultural da Mata Norte na sexta, sábado e também ontem. Mas é o aprendizado das oficinas, ministradas durante toda a semana passada em Goiana, uma das apostas da Fundarpe para abrir novas perspectivas à população, seja ampliando as fontes de renda ou a bagagem cultural das pessoas.O festival faz parte de uma série de ações prometidas pela Fundarpe e incentivadas pelo Ministério da Cultura para aprimorar a interiorização da cultura, juntando-se à ampliação dos pontos de cultura espalhados em Pernambuco. A próxima etapa será entre os dias 25 e 31 de maio, em São José do Belmonte, no Sertão Central. Outras dez regiões do estado – Sertão do São Francisco, do Araripe, de Itaparica, do Pajeú, do Moxotó, Agreste Meridional, Central e Setentrional e Zona da Mata Sul – também vão receber as atividades, em uma programação prevista até o final deste ano.As oficinas incluem literatura, cineclubismo, folclore etc., além de palestras e reuniões. São de curta duração, em geral uma pequena introdução aos temas. Em termos práticos, o melhor resultado das oficinas só deve vir a médio ou a longo prazo se houver uma continuidade mínima nas ações – exatamente o principal calo das gestões. A carência por informação fora dos centros urbanos é sempre um tema recorrente. Samarone Lima, coordenador de Literatura na Fundarpe, revela que muita gente envolvida com cultura, no interior, não imagina que possa conseguir recursos públicos ao participar de editais, por exemplo. “Mostramos que não é difícil, qualquer um pode fazer e participar, porque o dinheiro sai”, revela, em companhia da cineasta Clara Angélica, autora de Livros Andantes, um dos projetos contemplados pela Fundarpe para levar literatura à população rural de Amaraji, a 92 km do Recife. O funcionamento do Livros Andantes foi abordado no Diario na edição do dia 17 de março passado.Lula Gonzaga, responsável pela oficina de cineclubismo, quer ir além do que propõe o Nação Cultural. Há mais de 30 anos trabalhando com cinema de animação, ele planeja coletar os melhores trabalhos no interior para, daqui a dois anos, fazer um longa-metragem de animação genuinamente colaborativo. “Em cada oficina, sempre há dois ou três que se destacam, que correm atrás, mesmo quando a gente vai embora”, explicou, enquanto separava os melhores desenhos da semana.A discussão sobre os pontos de cultura – e como eles podem ter melhor acesso aos recursos públicos – é outra aposta para o interior. Francisco Irineu (Zinho), fundador do Grupo Aláfia, atua há cinco anos promovendo a cultura negra e popular em Goiana, mas até hoje admite dificuldades de comunicação com o estado. “Eu entendo o ponto de cultura muito mais como um reconhecimento político do que uma ajuda financeira”, explicou Zinho, já organizando a próxima apresentação do Aláfia, que ocorre todo segundo domingo de cada mês.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/04/06/viver5_0.asp

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