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PITACO CULTURAL

fevereiro 20, 2009
Leio diariamente o blog do jornalista Magno Martins que, na minha humilde opinião, é o melhor sobre política pernambucana. Magno Martins, 48 anos, sertanejo do Pajeú (Afogados da Ingazeira) é formado em Jornalismo pela Unicap, com pós-graduação em Ciência Política.
Já trabalhou no Correio Braziliense, Jornal de Brasília, O GLobo, Diário de Pernambuco e presidiu o Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados. Autor de três livros – O Nordeste que deu certo, O Lixo do Poder e A derrota não anunciada – Magno foi, também, secretário de Imprensa do Governo de Pernambuco, em 1991. Essa é apenas uma pequena parte do currículo de Magno Martins. Passando pelo seu blog hoje me deparei com um escrito de Magno informando que: “Como acontece já pelo terceiro ano seguido, este blog não será atualizado ao longo do Carnaval. Voltaremos na madrugada de quarta-feira.” Motivo: vem passar o carnaval em Triunfo. O ano passado lembro dele por aqui. Aí vai o artigo na íntegra.

Vou pra minha Pasárgada sertaneja. Até quarta-feira!

Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei. Lá a existência é uma aventura, andarei de bicicleta, montarei em burro brabo. Tomarei banhos de rio e quando estiver cansado deito na beira do rio. Mando chamar a mãe-d água pra me contar às estórias que no tempo de menino Rosa vinha me contar.
Parodiando trechos misturados de Manuel Bandeira, a minha Pasárgada do Carnaval é, novamente, a encantada Triunfo, a 480 km do Recife. É lá que aproveito os quatro dias de folia para fazer as minhas reflexões sobre a vida, as minhas orações, o meu reencontro com a família, a minha curtição maior, hoje, que é Magno Filho, próximo de completar seu primeiro aninho.
Adoro o sertão. Luiz Gonzaga dizia que sertanejo autêntico tem cheiro de bode. Aprecio uma costela de cabrito, mas prefiro o cheiro do marmeleiro. Quando estou no sertão, o que faço de vez em quando fugindo do estresse de Brasília e Recife, gosto de ver o tempo passar sem fazer nada, só jogando conversa fora, de preferência na calçada da rua. Quando se observa um grupo sentado na calçada dizem logo por lá que a orelha do vizinho está ardendo, de tanto fuxico.
Gosto também do sereno manso das suas noitadas, o amanhã festejado pelo canto dos pássaros, do infinito horizonte que se abre a nossa frente. Lá, até as pedras encantam e cantam, têm o seu fascínio e nos trazem inspiração.
Fui menino criado no sertão. Em Afogados da Ingazeira, a 50 km de Triunfo, tomei gosto pelo cheiro da terra sertaneja com meus pais – Gastão e Margarida. O varão, desfrutando de vitalidade hoje aos 86 anos. Mamãe, também esbanjando saúde aos 82 anos, parece bem mais jovial. Matuto destemido, meu pai, que é uma mistura de político, comerciante e jornalista autodidata, nunca saiu da sua Pasárgada para aventurar em outra estação.
Lá, criou e educou nove filhos. Lá, é feliz, contemplando as estrelas, a lua, o grito da passaralha, vendo vida abundante simplesmente na luz solitária do vaga-lume.
Triunfo é irmã-gêmea de Afogados, mas tem um charme todo especial. Fica em cima de uma serra, tendo o ponto mais alto do Estado – o Pico do Papagaio, com 1,3 mil metros acima do nível do mar. Se estivéssemos num país de primeiro mundo, com certeza a cidade viveria, hoje, apenas do turismo, com direito a vôos-chartes e outros penduricalhos que alavancam a economia.
Lá, como na Pasárgada de Manuel Bandeira, o tempo não tem pressa, é outra civilização. Não gosto de ladeiras, mas a de Triunfo são diferentes. Subir e descer suas ladeiras são um exercício prazeroso de contemplação ao passado colonial e barroco do sertão.
A comida mais gostosa – por ser matuta e caseira – é a da Pousada Baixa Verde, de Pedro e Terezinha. Quando enjôo do seu tempero vou até o Café do Brejo, lá embaixo da serra, para matar a saudade do café colonial de Gramado. É uma delícia!
Carnaval, nos tempos de hoje, para mim, é isso aí – descanso, volta às origens. Não há lugar melhor para revigorar a alma do que Triunfo. Lá, sou amigo do rei, ou da rainha natureza, para ser mais preciso. O clima sertanejo cai como uma luva para quem precisa recarregar as baterias para 2009, um ano difícil, de crise internacional, que não se sabe ainda, verdadeiramente, o tamanho do seu estrago.
Mas 2009 também tem outras motivações. Iremos acender as velinhas do terceiro aniversário do blog, que comemoramos em abril. E, se Deus quiser, de cara nova. Faremos uma festa discreta, como manda o figurino da crise, mas de novo visual, para acompanhar as transformações impostas ao mundo pela internet.
Quando estamos felizes, todos os momentos são belos. Agradeço a Deus por tudo que ele tem feito na minha vida. Espero que da volta de Triunfo, já refeito pela energia alimentadora do seu clima, possa corresponder a você, leitor, que nos acompanha aqui, dia-a-dia, com um jornalismo eficiente, veloz e atual.
Como acontece já pelo terceiro ano seguido, este blog não será atualizado ao longo do Carnaval. Voltaremos na madrugada de quarta-feira.
Aos que vão descansar, um maravilhoso refúgio. Aos que cairão na folia, cuidado: sua felicidade, nas emoções de quatro dias, acaba na quarta-feira de cinzas.
Fonte: http://www.blogdomagno.com.br/
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