Skip to content

O Recife – nossa capital

fevereiro 8, 2009

Esses dias li uma discussão no orkut em que ali uns diziam que falavam “em Recife”; outros “no Recife”. Tal questão aparenta ser simplória, mas na realidade, é também um ponto de tradição recifense; pernambucana. Lembrei que o escritor, jornalista e historiador Leonardo Dantas Silva no seu livro “Arruando pelo Recife” esclarece o assunto. Leonardo nos diz o seguinte:

“Como bem demonstrou José Antônio Gonsalves de Mello, arrecife é a forma antiga do vocábulo recife, ambos originários do árabe ár-raçif, que significa calçada, caminho pavimentado, … dique, paredão, cais, molhe. Em sua forma arcaica, arrecefe, o vocábulo é encontrado desde 1258 e, a partir de 1507, aparece como arrecife que, ainda no século XVI, é também consignado como recife, segundo registra o dicionarista José Pedro Machado. Durante quatro séculos, a exigência do artigo definido masculino precedendo o topônimo designativo de nossa cidade, foi mansa e pacificamente aceita até pelos holandeses, que nela estabeleceram a sua capital entre 1630 e 1654. A regra geral ensina que todo topônimo originário de um acidente geográfico é antecedido pelo artigo definido. Adverte Gonsalves Mello, antes citado, “por que se originou de um acidente geográfico – o recife ou o arrecife – a designação do Recife não prescinde do artigo definido masculino: o Recife, nunca Recife e não “em Recife”, “de Recife”, “para Recife”. E isto pela mesma razão porque ninguém diz “em Rio”, “de Bahia”, “em Pará”, “em Amazonas”, …
Como se não bastasse a lição, Gilberto Freyre corrobora a mesma regra no seu O Recife, sim! Recife, não!, “pequeno guia do Recife escrito para não-recifenses pelo recifense de Apipucos”, onde esclarece: todo bom brasileiro de Pernambuco diz o Recife e não “Recife”, como diz o Brasil e não “Brasil”, … O recifense, constata Gilberto Freyre, diz chegar ao Recife, vir para o Recife, sair do Recife, voar sobre o Recife. Quando é outro o modo de a pessoa se referir ao Recife, o recifense conclui: “é gente de fora”. No mesmo diapasão, são as observações de Valdemar de Oliveira: “isso de dizer em Recife é ignorância de gente do Sul, que não sabe muito de tais coisas, só sendo de lamentar que recifenses autênticos dêem curso a essa bobagem.” Leonardo Dantas conclui da seguinte forma:”Quem despreza o artigo definido masculino antes do nome de nossa cidade, por certo nunca conheceu o, nem residiu no e muito menos é originário do Recife. Com muito orgulho, como diria o poeta Antônio Maria. O Recife assim deseja”.

Para completar essa pequena viagem a respeito do Recife, segue abaixo link para o blog do Weslley. Nele o leitor irá encontrar fotografias antigas do Recife (final do século 19 e início do século 20), a exemplo da que abre essa postagem, através da qual podemos ver o arrecife que deu origem ao nome da nossa capital.

http://weslley171.wordpress.com/category/fotos-do-recife-entre-os-seculos-19-e-20/

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: